sábado, 28 de maio de 2011

Já é de manhã.

- Passo ai ás 19:00 - Disse a seco.
- ok, vou por aquele vestido que você gosta, e a jóia que a sua mãe escolheu.
Ela estava tentanto concertar a situação havia algum tempo, mas como lutar pra algo não cair/quebrar, quando ele está destinado a cair de nossas mãos e espatifar no chão?
As 19:00 em ponto ele buzinou, ela deu um beijo nos pais, pegou um casaco e desceu as escadas. E ele olhava com cara de nenhuma novidade, antes ele a via descer as escadas com cara de bobo apaixonado.
- Vamos? - ela entrou no carro.
Sairam pra comemorar o que os afastaria pra sempre.
- Você pensou no que conversamos ontem? - ele perguntou enquanto tentava juntar o espaguete com o garfo.
- Sim, e conclui que eu quero você, e estou disposta a abrir mão das possíveis experiências que eu viveria lá se você não existisse.
- Você não tem certeza disso. - ele disse.
Eles sempre quiseram comer juntos naquele restaurante, e nessa noite em que foram passaram a noite tensos, prevendo catastrofes. E ela realmente não tinha certeza do que dizia, pois passou a vida inteira tentando agradar, tentando não sair fora do caminho supostamente seguro, quando no fundo ela queria se jogar sem saber o que a esperaria.
- Nós éramos duas crianças, e agora crescemos em sentidos opostos. Você não suporta meus livros, e eu não suporto seu cigarro, sua bebida exagerada, suas atitudes politicamente corretas, sua cara de tédio quando vem aqui.
- Eu te amo, e nada vai mudar isso. - ele beijou os dedos dela, beijou a aliança, que em alguns dias não estaria mais ali, e sim num compartimento secreto dentro de um livro, embrulhada num papel branco.
- Estamos bebendo e comemorando nossa separação. - ela afirmou com choro nos olhos.
- Acho que sim. - respondeu ele ,como sempre, sem choro nos olhos.

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