terça-feira, 30 de novembro de 2010

Boas novas.

   Agora minha vida corrida acabou, pelo menos por enquanto! Enfim, estou com mil idéias na cabeça para criar novas histórias. Além disso preciso terminar os três livros que comecei a ler em setembro, e por causa do cursinho fui lendo muito devagar e deixando-os de lado, e também deixei de lado meu sono, e até minha saúde mental ( ta, exagerei um pouquinho!). Enfim, agora esse blog vai estar mais vivo do que nunca, e a dona dele também! Um beijo, e esperem boas novas, novas boas!
   "Das águas de março, é o fim da canseira."

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

   A FUVEST ta chegando, e eu sinto um misto de ansiosidade e raiva (não sei explicar o porque). Alterno entre esses dois estados de ser, e agora o meus olhos e minha alma querem ler Augusto dos Anjos. É escuro, mas de certa forma, acredito nos seus versos (em partes). Então, resolvi contagiar todos que passaram por aqui, sei que são poucos, se eu conseguir passar um pouco do mal augustense pra alguem já me sinto aliviada, rs. E também, porque dei um pequeno tempo nos contos, estou sem tempo pra tudo, vocês nem imaginam! Enfim :
                O Martírio do artista

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a Idéia!  A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
É como o paralítico que, à míngua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem  à boca uma palavra!

domingo, 21 de novembro de 2010

Ah, Amaranta.

"Amaranta entrou na cozinha e pôs as mãos nas brasas do fogão, até doer tanto que não sentiu mais a dor, e sim o fedor de sua própria carne chamuscada. Foi uma dose cavalar para o remorso. Durante vários dias andou pela casa com a mão metida numa caneca cheia de ovo, e quando sararam as queimaduras era como se as claras de ovo tivessem cicatrizado também as úlceras do coração. A única marca externa que lhe deixou a tragédia foi a atadura de gaze negra qye pôs na mão queimada, e que haveria de usar até a morte.
          
                                                                 Gabriel García Márquez.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Like a rolling stones

   Ouço gritos, vozes confusas e gritos, e não sei de onde eles vem. Agora ouço nitidamente, é uma voz aguda, e parece que vem de mim, como se eu tivesse escutando algo no meu interior. Mas essa voz não é minha voz.
   Como pode, eu aqui, dentro deste apartamento escuro ouvir esse som angustiado? De onde vem essa dor?
   É a tortura e a privação. São os documentos falsos e a pólvora em mãos boas, mãos que sonham e que lutam. Mas que bobagem isso! Que ideologia é essa? Ele não tinha que fazer isso, deveria calar-se, pois, no fim de tudo isso, voltaríamos a rir, beber, e ler Rimbaud.
   Por que você escolheu ir na linha de frente, a antiga linha da esperança e futura linha da morte. Me deixa em paz, o que eu tenho com isso? Quero dormir, mas a sua imagem morta não sai de minha mente: você caído em meio às pessoas, com o rosto desfigurado, e também com uma mancha de sangue no peito, é um tiro.
  Fecho os olhos, num esforço inútil de me ver livre dessas vozes e da sua imagem, mas você vem de novo. Não adianta, não quero e não vou te acompanhar nessa loucura. Você está na zona do crepúsculo, sua morte é certa, mas não quero pensar nela, não quero isso. Tentei tantas vezes trazer você de volta pra casa. Mas percebi que a sua luta é muito maior que o amor que tínhamos.
   Ouço um disparo. E um grito rapidamente abafado, tenho uma sensação de terror, escuto agora murmúrios e um riso demoníaco. Abro os olhos. Foi um sonho? Não, você está morto, eu sei. O telefone toca.

sábado, 6 de novembro de 2010

" Eu quero é que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês!"
                                                   
                                                                                               Belchior.
  

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Grande sacudida na Terra que está caindo.

   Fiz esse conto na varanda aqui de casa, fazia frio, subi com um café bem quente e quase sem açúcar. Fui lá pra varanda, pra ficar longe dos gritos da Elisa (apesar de adorá-la, ela tem uma garganta potente! rs).
   Escrevi pensando na coisa pequena que existe em muitos de nós, mas que não exterioramos e muitas vezes nem percebemos sofrer desse mal, ou até percebemos, mas a vida passa tão rápida e as vezes fria, que não importa esse estado de ser. Bem, que acho que vocês irão se identificar. Apesar de achar uma sensação real e de domínio público, não é um autoconto (nem sei se essa palavra existe). Espero que gostem.





   Sinto uma angústia que causa calafrios. É outono, as folhas estão caindo, e minha vida derrama-se aos poucos, nem sei mais quanto resta. Acabei de chegar do trabalho, e não tenho planos para essa noite. Há algum tempo atrás, tomaria um bom banho e leria um livro. Mas, agora não tenho a menor paciência de percorrer uma história e ter de ficar dias e até meses acompanhando o desenrolar de uma trama. Não tenho mais saco para as pessoas. E até meus filmes de Godard, Glauber e Sganzerla me irritam, não porque descobri serem ruins, mas sim porque não agüento esperar quase duas horas até o final. Não suporto mais o processo da vida, o amadurecimento dos frutos ou o crescimento dos filhos que não tive.
   Não tenho namorados, para poder afirmar que o amor murchou, e que não agüento mais ver seu rosto. Para então, poder dizer que meu problema é mal de amor. Será que é bom sofrer de amor? Já sei! Vou por um filme incrível, e esperar pacientemente o final. Escolho Terra em transe, fora meu filme preferido quando jovem, e há muito não o vejo. Ele começa com uma música, que, de certa forma, é contagiante. Sinto vontade de dançar. Pauso o filme, vou ao quarto e ponho uma saia antiga, também de quando eu era menina. Volto à sala, aperto o play e danço.A música acaba e eu sento ofegante no sofá. Começa a discussão; ao invés da deliciosa música, toca uma marcha militar acompanhando de tambores, que aumentam e diminuem de intensidade. Lembrei do final do filme. Merda! Já não quero mais acompanhar a história. Não adianta, nada adianta! Já tentei livros  filmes novos, nenhum me anima. Volto ao começo do longa, pois a única coisa que me faz feliz agora é dançar a música baiano-africana do começo de Terra em transe.