segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Grande sacudida na Terra que está caindo.

   Fiz esse conto na varanda aqui de casa, fazia frio, subi com um café bem quente e quase sem açúcar. Fui lá pra varanda, pra ficar longe dos gritos da Elisa (apesar de adorá-la, ela tem uma garganta potente! rs).
   Escrevi pensando na coisa pequena que existe em muitos de nós, mas que não exterioramos e muitas vezes nem percebemos sofrer desse mal, ou até percebemos, mas a vida passa tão rápida e as vezes fria, que não importa esse estado de ser. Bem, que acho que vocês irão se identificar. Apesar de achar uma sensação real e de domínio público, não é um autoconto (nem sei se essa palavra existe). Espero que gostem.





   Sinto uma angústia que causa calafrios. É outono, as folhas estão caindo, e minha vida derrama-se aos poucos, nem sei mais quanto resta. Acabei de chegar do trabalho, e não tenho planos para essa noite. Há algum tempo atrás, tomaria um bom banho e leria um livro. Mas, agora não tenho a menor paciência de percorrer uma história e ter de ficar dias e até meses acompanhando o desenrolar de uma trama. Não tenho mais saco para as pessoas. E até meus filmes de Godard, Glauber e Sganzerla me irritam, não porque descobri serem ruins, mas sim porque não agüento esperar quase duas horas até o final. Não suporto mais o processo da vida, o amadurecimento dos frutos ou o crescimento dos filhos que não tive.
   Não tenho namorados, para poder afirmar que o amor murchou, e que não agüento mais ver seu rosto. Para então, poder dizer que meu problema é mal de amor. Será que é bom sofrer de amor? Já sei! Vou por um filme incrível, e esperar pacientemente o final. Escolho Terra em transe, fora meu filme preferido quando jovem, e há muito não o vejo. Ele começa com uma música, que, de certa forma, é contagiante. Sinto vontade de dançar. Pauso o filme, vou ao quarto e ponho uma saia antiga, também de quando eu era menina. Volto à sala, aperto o play e danço.A música acaba e eu sento ofegante no sofá. Começa a discussão; ao invés da deliciosa música, toca uma marcha militar acompanhando de tambores, que aumentam e diminuem de intensidade. Lembrei do final do filme. Merda! Já não quero mais acompanhar a história. Não adianta, nada adianta! Já tentei livros  filmes novos, nenhum me anima. Volto ao começo do longa, pois a única coisa que me faz feliz agora é dançar a música baiano-africana do começo de Terra em transe.

Um comentário: