segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tempo, tempo, tempo mano velho!

Vou dar um tempo nos contos por enquanto, pra participar de um concurso de contos e quero trabalhar pra valer nos que vou mandar. Mas logo volto a escrever pro blog. Torçam por mim,rs.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Filme pro fim de semana.

Antoine e Colette, de Fraçois Truffaut.

Bom mesmo pra descontrair o fim de semana, especialmente o domingo,rs. Conta a história de uma mulher, a Colette, que deixa seu pretendente com seus pais enquanto sai com outro rapaz. Não sei contar histórias de filmes, sem entregar completamente tudo. Então me reduzo a isso, mas afirmo que é bom.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Posso esperar o verão passar.

Ela sempre ficava ali: na entrada do Parque Trianon pintando quadros; ele a conhecia,sabia que sim. Mas de onde?
Alguns curiosos sempre paravam, e eu nunca tinha parado. Entendam, a correria do dia a dia não deixava. Mas eu olhava seus quadros enquanto andava com passos largos pela calçada. Por que alguém resolve pintar assim, na beira da Avenida Paulista?. Mas a noite, sempre depois que concluía algum processo, era naquela moça do Trianon que eu pensava, eram dela meus últimos minutos antes de dormir.
Teria ela familia, casa ou cachorros? Aquela moça, ah aquela moça. Mesmo assim, com pedaços da minha noite que como num ritual meu cérebro dedicava a ela, não parei para olha-lá.
Mas um dia a moça me fez parar. Ela terminava fde pintar três flores verdes, que pareciam conversar com os olhos distraídos de quem passava pela calçada.


- Resolveu parar hoje? - ela perguntou naturalmente sem largar o pincel, nem tirar os olhos azuis da tela.
Raul surpreso, respondeu: - É.
- Sempre vi nos teus olhos desejo de parar.


Fiquei confuso com a resposta da pintora de rua. E fui pra casa. Fui dia e noite. Insônia e sonho solto. Lutei para não voltar lá. Ela mexia comigo de uma forma estranha. Tinha dentro daquele peito uma ressaca intensa e perigosa. Quem era ela? Como sabia do meu desejo contido de parar. E se ela não existir?
As perguntas ecoavam como em uma gruta e a única coisa que ouvia era a voz amarga da dúvida. Não podia ficar aqui esperando alguma luz, algum fresta esclarecer a essência daquela moça.
Voltei. E lá estava ela pintando um elefante. Fiquei de longe observando. E me aproximei aos poucos, como um caçador paciente.


- Sabia que voltaria hoje. - ela disse com uma voz de monge.
- Demorei porque...
- Não precisa de mais explicações. Vou embora. Um dia volto e recomeço.


Juntou seus instrumentos e saiu calmamente. Achei que ela estaria lá no outro dia, talvez na outra semana. Mas os dias viraram meses, depois anos e finalmente viraram loucura. E fico aqui sentado do lado da estátua de um bandeirante qualquer esperando a mulher de olhos azuis, tentando lembrar quem ela foi.
- Mas o senhor mora aqui na rua, esperando ela? Nem sabe ao menos o nome dela?
- Não menina, fico aqui, tocando saxofone, ganhando um trocado. E sei que um dia ela voltará e pintara esse velho aqui, tocando esse saxofone.

Não sinto teus sinais.

Acabara de chegar em casa, quando uma ventania começou. Maria ficou na janela da sala vendo a rua ser coberta pelas folhas das árvores,e em alguns instantes de vento, a tempestade estava anunciada. O céu tornou-se negro em alguns minutos, o Sol se escondeu e algumas pessoas olhando para o céu corriam para tentar chegar em casa antes que o céu chorasse. Mais alguns minutos e ninguém na rua. Só as folhas ficaram, dançando ao sabor do vento. Agora era pra valer, as gotas grossas começaram a molhar a rua e Maria abriu a janela pra sentir o cheiro de asfalto molhado. Respirou fundo e se deliciou. Fechou a janela, e ficou vendo as gotas da chuva bater e escorrer no vidro. Ficou ali por um tempo que são se mede. Um tempo que nem ela sabe quanto durou. O céu está de luto - pensou. Mas logo corrigiu-se: pára de bobagem Maria, é verão, óbvio que tem que chover. Resolveu sair e se molhar. Mas e os raios?- ponderou. Qual o problema? A morte já não é um mal distante. Anestesiada por pensamentos de criança ela saiu. Alguns vizinhos, que olhavam a chuva pela janela, fitavam Maria com olhos de espanto e curiosidade:
"- Filho vem ver! A moça que mora no número 9 enlouqueceu."

"- Mãe, olha só. Sempre disse que ela era estranha, está na chuva rodando com os braços abertos. É mesmo uma louca!"

Maria não via ninguém. Sentia a chuva dançar no seu corpo, não deixando nem um único pedaço de pano seco. E ela rodava rodava rodava. Mas acordou, e viu que em quase todas as janelas haviam pessoas olhando-a. Voltou pra dentro da casa. O que vão pensar de mim?- sentiu vergonha. Nada Maria, eles é que deveriam se perguntar. No fundo cada um daquelas pessoas, eram pobres coitados, sem vontade de viver, nem de amar. E infelizmente, Maria também era mais uma infeliz.







Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim,
Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar,
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez,
Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um cão andaluz.





Luiz Buñuel em parceria com Salvador Dali. Esse filme marca o surrealismo no cinema. E uma curiosidade: a cena do homem cortando o olho de uma mulher com a navalha é desse filme.


Para baixar, em parte única. http://www.megaupload.com/?d=78DDXQU9

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vou colocar sempre videos novos (músicas) a cada semana. Pra começar escolhi Chico Buarque, mas nem só de pessoas consagradas e conhecidas vive o blog. Terão muitas novidades. Espero que gostem.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Obrigada por isso.




Em um nevoeiro, uma tempestade nebulosa
Estarei por perto, estarei sempre te amando
Sempre...

Aqui estou e terei o meu tempo
Aqui estou e sempre estarei na linha
Sempre...

Cecília.

Pingou três gotas de limão na xícara. Foi até o armário e leu: Açúcar. Pôs duas colherinhas de açúcar e sem piscar vendo-o dissolver no limão. Pegou o chá de capim cidreiro artificial, esses de sachê, juntou: água, limão e açúcar. Pronto! - pensou.
Estava indo para o quarto tomar o chá, quase que deitada, quando ouviu uns gritos na rua. Nada que fosse inteligível, mas percebia-se logo que era mais um barraco na vizinha. Pobre mulher essa vizinha! Foi até a varanda, e observou a cena: mais uma vez o Seu Jonas chegou bêbado. A mulher dele, dona Lavínia, era jovem, apesar de castigada pela vida, era educada, ia à igreja aos domingos e tudo mais.
Resolveu sair e confortar a mulher, que, mais uma vez fora abandonada pelo seu homem embriagado.
- Dona Lavínia, precisa de ajuda?
- Ah não minha filha! Só Deus pode me ajudar. Você sabe, quando ele bebe sempre larga a gente aqui, nessa agonia. Ninguém sabe pra onde ele vai, e nem quando volta.
- Mas ele volta. Isso é o que importa. - disse a filha do casal, uma menina de uns quatro anos.
Cecília ficou tão impressionada com a fala da criança, que custou acreditar que havia sido ela quem disse:
- Como? - perguntou.
- É isso mesmo, ele sempre vai voltar pra nossa casa, é isso que me deixa feliz.
Cecília dando um tchau sem graça, voltou para o chá deixado as pressas. Ele sempre vai voltar. - seu inconsciente repetia. Mexia a colher, dando voltas e mais voltas. O chá esfriou.
Olhou pela janela e viu a Lua, que brilhava indiferente a todas dores humanas. Lá estava ela, sem saber da dor de Dona Lavínia, da esperança infantil e sincera da menininha. E sempre e cada vez mais indiferente a dor de Cecília. E qual é a dor de Cecília? É uma dor tão doída que não posso contar a vocês. Se eu sei? Sim eu sei, mas esse é um segredo que só cabe nos olhos negros e apertados dela. Dormiu sem querer dormir, vencida pelo cansaço, e pelo ardor dos olhos maresiados pelo choro.
Pela manhã, as 9:00, foi à varanda: viu Seu Jonas chegar, sendo, apesar de tudo, abraçado por sua mulher e filha, como se tivesse chegado do trabalho e merecesse, como recompensa, carinho. Quem sabe, talvez realmente aquele homem mereça mesmo.
Talvez vocês mereçam também saber qual é a dor de Cecíla. Ela chama-se Saudade.