terça-feira, 29 de março de 2011

Elisa, Lisa, Lis, Lise. Minha flor, minha cor, minha cara.



E você diz: Não fica triste não Nani, eu amo vc. E quando eu chego cansada você diz: Vamo tomar banho, tirar essa roupa... E conta histórias incríveis : Daiii tinha uma princesa que queria beber coca-cola. Aiii o pai dela disse, não pode beber coca não, aiii ela bebeu e ficou assim. E vc se treme pra mostrar o estado da princesa teimosa. É como se fosse minha filha, na verdade acho que era pra ser :] Maaas me veio como irmã, e faz dos dias difíceis sorriso de Lisa.

vocês não Tao com nada e nem entenderão.

Entrou na estação de trem e seguiu andando na linha de segurança amarela. Olhava a linha até seu final, e parecia ver o infinito, mas a linha era finita. E todos olhavam curiosos para a moça. Os cabelos esvoaçavam... Ela era triste, talvez sem nenhum motivo justo, mas era.




As vezes dói ter você, e pensar nas possibilidades, no futuro e no agora. Queria intensidade... Eu tô mesmo é mal acostumada. Talvez o bom sejam as coisas correrem de maneira calma, sem paixões devastadoras... Agora sinto mais vontade de me cuidar. Mas daí você aparece e da vontade de me jogar, e por você no meu sofá nos fins de semana. E agir feito louca, te amar nas escadas e imaginar cenas.

E o vento dança no quintal, e a chuva samba no telhado, e eu volto a sentir enjoos e penso é melhor assim. E o cachorro pede socorro, ligo o som para que os vizinhos não escutem minha loucura.

Estou aliviada. Tempo tempo tempo tempo tempo. Para.

E mais uma vez, e mais uma vez eu espero

Um homem que dirá: Por favor 4 maçãs e um pacote de canela... São para o famoso bolo de maça com canela da Dani.

Paródiazinha, né.

domingo, 27 de março de 2011

Vem, querendo ir embora.

Vem mudar o fim da história... Escrevo num pedaço de papel. É pra você que escrevo, mas não irá chegar até você. Corto o abacaxi em cubinhos e coloco uvas passa, o médico recomendou... estou bem mais gordo. Queria muito por leite condensado pra acompanhar, mas agora minha namorada é natureba, e fica no meu pé. Hoje é domingo, e você passaria a tarde aqui, colocaríamos um filme como pretexto e faríamos amor até os créditos passarem mil vezes. Depois ouviríamos Janis Joplin, eu dançaria e você daria risada. Agora lembrei da tua risada, parecia de bebê... Mas seus dentes andavam amarelos por conta do cigarro. Agora eu fumo querida. Nem posso mais te repreender...
E como será que vão as coisas por ai... Dizem que a Hungria é bonita. Que diabos alguém faz ai? Por que não admite que tem medo de amar? E assim que eu ia te chamar de minha namorada, você pulou fora. " Congresso de poetas na Hungria. Sinto muito, mas desde o início deixei claro, que não anularia nenhuma experiência, por qualquer tipo de relacionamento." Qualquer tipo de relacionamento? Como assim? Era amor. Tem algo maior? Uns poetas mal sucedidos e alcoólatras são mais interessante do que beber desse amor que te ofereço? Tá bom, tá bom... Eu prometi não falar mais sobre isso. Mas o amor é tão grande. Poxa, queria muito te mostrar.
Não se preocupe, não quero mais me matar, nem te matar. Estou indo muito bem. Comprei ontem uma pólo, lembrei que você achava bonita. As que você me deu infelizmente doei num momento difícil. Falando nisso já arranjou alguém pra passar o tempo? Bem provável, e, sinceramente não quero resposta. Queria pedir pra você usar aquele casaco que te dei... Lembra? Um roxo, quadriculado. Você adorava coisas quadriculadas... Credo, disse como se você estivesse morta.
E se estiver? Quem irá me avisar? Tomara que você tenha anotado em algum caderno meu endereço ou meu telefone. Um dia um estranho me telefonará ou me ligará comunicando sua morte. Morrer na Hungria... Do que você morreria? Atropelada... não... Já sei, você iria se apaixonar, acharia ele um máximo, poeta enfim... essas coisas que você gosta. E quando ele estivesse te amando você diria: " Querido tenho um congresso de pintores no Cazaquistão... Deixei claro desde o começo que não anularia nenhuma experiência por nenhuma espécie de relacionamento..." E ele tentaria argumentar: " Eu vou com você... Não tenho nada a ganhar aqui, e nem a perder lá. Mas eu te acompanho por que te amo." Mas você não deixaria espaço para os argumentos dele, e iria empurrá-lo pra fora do quarto dizendo: " preciso arrumar as malas, o voo sai daqui a uma hora. Foi bom te conhcer." Ele sairia a contragosto, segurando as lágrimas de ódio e tristeza. Você arrumaria suas malas,e na saída do prédio, ele iria te esperar para te assassinar a facadas.
Mande notícias, mas não responda à pergunta.

Bob Dylan.

Garota do Norte do País


Bem, se você estiver viajando pelo norte do país,
Onde o vento sopra forte na fronteira,
Fale de mim para quem mora lá,
Ela foi certa vez, meu verdadeiro amor.

Bem, se você for quando a neve estiver caindo,
Quando os rios gelarem e o verão estiver terminando,
Por favor veja se ela esta usando um casaco quente,
E a mantenha afastada do ganido dos ventos.

Por favor veja se os cabelos dela esvoaçam,
Se balança e escorrem sobre seu peito.
Por favor veja se os cabelos dela esvoaçam,
É assim que mais me lembro dela.

Eu fico imaginando se ela ainda lembra de mim.
Por vezes tenho muito rezado
Na escuridão da minha noite,
Na claridade do meu dia.

Então se estiver viajando pelo norte do país,
Onde o vento sopra forte na fronteira,
Fale de mim para quem mora lá.
Ela foi certa vez, meu verdadeiro amor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Doce doce agridoce amargo amargo insuportável.

Parou de frente pro espelho, com a caixa de lembranças nas mãos e choro escorrendo, fazendo o corpo tremer, a boca desfigurar e as bochechas ficam vermelhas. E ela se olha, admira o próprio sofrimento. E molha as fotos, as cartas, os desenhos, as colagens, os recibos e os cartões, de lágrimas pesadas, antigas e doce. Não sabia que fim dar a todas aquelas coisas, que despertaram, um dia, os melhores e mais gostosos sentimentos, mas que hoje, despertava uma amargura tremenda. Alguém dirá: " Ponha fogo Amélia!" Mas nem coragem lhe resta. Outros dirão: "Mate-se Amélia!"
Mas ela não pode. Quer estar viva pra superar a imagem do espelho, e voltar e dizer: "Agora engole esse meu sorriso."
Dizem que a felicidade é algo fácil de se ter, basta querer. Mas a noite, principalmente, ela percebe que ela não está ao alcance. Nem das mãos, nem da alma e talvez nem do desejo. E ela grita no meio da noite: " Ne me quittte pas!" Foi um sonho Amélia.


segunda-feira, 21 de março de 2011

E o amor faltou ou sobrou.

Hoje, depois de muito muito tempo sem ter coragem de abrir meu moleskine, o abri. Senti uma coisa nostálgica. Pro bem e pro mal, como todas as coisas antigas né?! Trazem coisas muito boas, mas trazem a saudade e nem venha me dizer que saudade é sentimento bom. Saudade é uma merda. Os poetas etc querem deixar a saudade adornada, mas não acredito mais nisso, já acreditei.
Mas voltando, o que me fez hoje escrever nele foi uma música, que me mostraram hoje :] E senti muita vontade de acreditar em coisas que eu já tinha desistido. Claro que não colocarei o que escrevi no moleskine aqui,rs. Mas a música sim:





Janela Nos Céus

As algemas foram retiradas
As balas deixaram a arma
O calor do sol
Nos manterá quando não houver mais nenhum

A regra foi contestada
A pedra foi movida
O grão é agora um bosque
Todos os débitos foram pagos

Oh, você não vê o que o amor fez?
Oh, você não vê o que o amor fez?
Oh, você não vê o que o amor fez?
O que fez comigo?

Amor cria estranhos inimigos
Faz amor onde parece improvável
Despe a alma em um strip-tease
Põe o ódio de joelhos

O céu acima de nossas cabeças
Podemos alcançá-lo de nossa cama
Se você me deixar entrar em seu coração
E sair da minha cabeça... cabeça...

Oh, você não vê o que o amor fez?
Oh, você não vê o que o amor fez?
Oh, você não vê o que o amor fez?
O que fez comigo?

Oh oh oh oh, ohh
Oh oh oh oh, ohh
Por favor, nunca me deixe fugir de você...

Eu não tenho vergonha...
Oh não,Oh não

Oh, você não vê o que o amor fez?
Oh, você não vê?
Oh, você não vê o que o amor fez?
O que está fazendo comigo?

Você não pode ve o que o amor fez?
Eu sei que te feri e te fiz chorar
Você não pode ve o que o amor fez?
Fiz tudo menos matar você e eu
Você não pode ve o que o amor fez?
Mas o amor deixou uma janela nos céus
O que está fazendo comigo?
E eu sou fã do amor

Você não vê o que o amor fez?
Para todo coração partido
Você não pode ve o que o amor fez?
Para todo coração que chora
Você não pode ve o que o amor fez?
O amor deixou uma janela nos céus
O que está fazendo comigo?
E eu sou fã do amor.

Você não vê?!

domingo, 20 de março de 2011

Só sei sonhar.

Fumar umzinho e ouvir Coltrane... Não faço mais isso, mas entendo muito bem.

Acorda Maitê... O tempo tá escorrendo, correndo, morrendo. Gritar, chorar, desamar, acordar, mergulhar, retornar, ressuscitar e findar. Não não não não deixa isso acontecer! Fica feliz, vem ressurgir. Onde você quer ir?

Esse é o ultimo dia da minha vida.

Chorava enquanto pintava as unhas de preto. O que ela queria mesmo eram ataduras pretas de Amaranta. Lembram dela? Não importa.
Queria viver um luto eterno, mas restou um bebê no ventre. Como poderia esquecer? Se existia uma lembrança do amor que existiu bem ali dentro dela. E logo ele ia ser visível... E teria talvez os olhos dele, talvez o jeito racional de ver as coisas. Uma lágrima caiu exatamente no dedo que uma aliança, feita por ele, enfeitava. E a água dos olhos estragou a pintura daquela unha. Levantou e foi pegar algodão e acetona, apagando o borrão. Mas ela queria mesmo era apagar as noites, as tardes e as manhãs que passou com ele. Queria arrancar da retina memorial o semblante dele.
Mas não dá pra voltar. Ele não vai escutar, e ela não acredita em nada além do que vê.
E ela deita no chão, fuma cigarros e escuta First Day of My Life, e lembra que quando ele estava lá, escutaram a música felizes. Ele disse: senta aí, quero te mostrar uma música. Mas fecha os olhos. Ela obedeceu e ele ficou atrás dela, lendo a tradução por cima de sua cabeça. O inglês dela é assustador... Lembrou que sempre pedia pra que ele traduzisse as músicas. Agora ele não lerá isso, por que não está mais aqui. A moça vive entre lembranças, mas a culpa é dele, que não podia ter morrido.
Quero dizer uma ultima coisa: Ela cantará essa música pro filho quando ele perguntar pelo pai.





Primeiro Dia da Minha Vida

Esse é o primeiro dia da minha vida
Eu juro que nasci bem na porta
Eu saí na chuva, de repente tudo mudou
Eles estão espalhando toalhas na praia
Seu rosto foi o primeiro que eu vi
Acho que eu era cego antes de te conhecer
Agora eu não sei onde estou eu não sei onde eu estive
Mas eu sei aonde eu quero ir

E então eu pensei que deixaria você saber
Que essas coisas demoram para sempre, eu especialmente sou lento
Mas eu percebo que eu preciso de você
E eu imaginei se poderia voltar para casa

Eu lembro de quando você dirigiu a noite toda
Só para me encontrar de manhã
E eu achei aquilo estranho, você disse que tudo mudou
Você sentiu como se tivesse acabado de acordar

E você disse, "Esse é o primeiro dia da minha vida?
Estou grata que não tenha morrido antes de te conhecer?
Mas agora eu não me importo, eu poderia ir para qualquer lugar com você
E eu provavelmente seria feliz"

Então se você quiser ficar comigo
Com essas coisas não há o que falar
Você tem que esperar e ver
Mas eu prefiro trabalhar por um salário
Do que esperar para ganhar na loteria

Talvez dessa vez seja diferente
Eu realmente acho que você gosta de mim

Fica mais um pouco, amor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu te abro as cortinas da manhã.

Caminhavam os dois, de mãos atadas de superstições engraçadas, com o coração ansioso... Mas por que a pressa? Era a pressa de ter certeza, era a vontade de ouvir e dizer palavras confortadoras. Sabe, existem palavras que podem mudar o curso de um sentimento; por isso é preciso dizer, expressar. Acredito que o amor, ou qualquer coisa dúbia como ele, deve ser feita de gestos, que as vezes destroem e outras vezes constroem. Mas, daí vem o medo... Quais palavras edificam e quais desedificam? Não dá pra saber, é triste, mas não dá mesmo.
Ela cantarolava qualquer coisa, e ele observava. E sempre quando ela ia embora, os olhos dele seguiam preocupados. Mas agora eles andavam por aí com a mente distraída e com os corações unidos por algo que não cabe explicar. O vento batia rasgando, invadindo camadas da pele... Até onde o vento entrava? O suficiente pra se fazer notar, e balançava os cabelos dela, procurava espaços pela barba dele. O que será deles? Sei que estão tentando viver bem. Fazer bem um ao outro, confiar e sonhar.
- Você quer casar?
- Quero... E você?
- Sim, acho que sim.
E agem como se coisas fossem certas, numa condição deliciosa. Pra que pensar? Tem algo que diz, não sei quem disse, que não se deve sofrer por antecedência. Até porque, dessa vez, o sofrimento não vai chegar, eles não irão deixar.
- Vou te cuidar e te gostar...
E eles correrão o mundo, sim, agora dei pra fazer previsões. São só duas crianças querendo a felicidade.
- Vou te acompanhar nos teus sonhos.
- Quero você aqui hoje, amanhã e depois.
- ... E sempre.





quarta-feira, 16 de março de 2011

Dois.

- Quando você ri seus olhos apertam-se e sobem suas bochechas. E fica adoravelmente bonita tua expressão. Desencontramos, não sei quando e nem onde, mas agora é a hora. É estranho, nunca imaginei sentir isso. E não digo sentir de novo, por que é uma sensação completamente nova. Deixamos histórias longas e doídas para trás. Mas agora minha estrada uniu-se a tua, numa mão unica, num momento único. E mesmo prometendo não ouvir mais meu coração, me peguei nesses dias envolvida por ele. E nosso ultimo beijo e as suas ultimas palavras antes da gente se despedir ficaram em minha cabeça. E penso em você muito, e sinto como se te conhecesse há anos.
- Pode dormir, vou manter os olhos em você. E vou decorar suas pintas, imaginar constelações e beijar suas costas descobertas.
- Pode dormir, vou beijar teus dedos... Tua mão, e vou contornar teus lábios a ponta dos dedos, e você vai sentir um arrepio manso. Me mostra o mundo com teus olhos... Vê o que tem do outro lado do muro pra mim?
- Já viu o pôr do Sol daqui? Um dia a gente vê juntos.
- Quero você. Quero fazer dar certo.
- Quer dormir? Depois comemos um pão assado.
E tudo se faz, tudo segue um caminho bom. Não importa o que nos aguarda, eu confio nisso, por que de uma maneira estranha esse amor... Posso chamar assim? É verdadeiro. Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.




Como dois estranhos,
Cada um na sua estrada,
Nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí? quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar.
E mesmo assim, queria te perguntar,
Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
Se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?
E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.
E mesmo assim,
Queria te contar que eu talvez tenha aqui comigo,
Eu tenho alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ponto de partida.

Tenho 42 cartas tuas, das mais bobas até as mais profundas. E hoje, não sei por que resolvi as ler, e senti um frio imenso como a morte, porque foi exatamente isso que aconteceu, eu morri. Morri nessas cartas, naquele tempo e não me reconheço em nenhuma linha. Achamos por um longo tempo, que um se adaptou ao crescimento do outro... Que ilusão! Você cresceu e perdeu o encanto, o brilho dos olhos quando me via. Eu cresci, e você ficou procurando um vestígio da menina que conheceu. Deitávamos na cama: antigamente, você gostava de como eu ficava te olhando, e de uns tempos pra cá você ficava sem jeito, dizia: " Dá vergonha alguém ficar olhando assim." Você arrancou todas as pétalas desse amor, e quando restou o caule, quando até poderíamos regar a flor, você arrancou pela raíz. Houve sofrimento? Talvez sim, mas um bem comportado e silencioso.
De princípio eu fiz tempestade, te gritei, te chamei e te amei, mesmo não querendo. O amor é assim mesmo. Um dia nos veremos pra conversar bobagem. E talvez você se apaixone pela Helena mulher. E talvez eu me apaixone pelo Flávio frio. Mas vai ser tarde, eu sei que vai.
Você se perdeu, e o pior a culpa pode ser minha, eu causei isso. Não vamos levar o que houve de ruim. Eu sei que você vai me chamar, mas eu não quero, e não vou mais te escutar. Tem outro alguém, no teu lugar.

" Nem choro mais, só levo a saudade morena... É tudo que vale a pena."





Eu tentei evitar
Liguei a tevê
E deitei no sofá
Desde que haja tempo pra sonhar
E assuntos pra desenvolver
Não é muito fácil desligar
Me dá pena do meu chinês
Por ele eu passava o dia inteiro
A meditar
Bebendo chá verde ele me diz
"Fica feliz que vai funcionar"
Mas eu tô feliz,
Eu juro pelo meu irmão
O saldo final de tudo
Foi mais positivo que mil divãs
Por isso que não adianta
Querer julgar
É cada um por si
Na sua
Própria bolha de ar
Mas o que eu penso mesmo
É encontrar alguém que me dê carinho e beijo
Me trate como um nenêm,
Me trate muito bem
Ah, eu só quero amor
Seja como for o amor
Seja bom, seja bom,
Seja bom, seja amor
Me faz mais feliz
Me dá asas pra fluir
E cantar o amor

sábado, 12 de março de 2011

Amanhã é 23

Amanhã é dia 23 de junho e é meu aniversário. É também véspera de São João. Sempre ouvi isso na infância... " Essa vai pular fogueira todo ano, nasceu bem na véspera!" Mas as coisas mudaram.
Minha mãe conta que antigamente em todas as casas havia fogueira, e isso quando não eram nas ruas! E todos os vizinhos participavam, levavam comidas, dançavam, e brincavam até de amigo secreto. Como ela diz:" era de dar gosto tanta animação! Foi numa dessas festas juninas que teu pai me deu aquela caixinha de música..." Ela lembra com os olhos brilhando com o mesmo brilho dos olhos de minha avó.
Mas logo ela conta uma história que não sei se chamo triste ou engraçada: uma mulher que pulando fogueira se queimou e ficou com marcas por todo o corpo, mas principalmente no rosto... Ela cresceu e casou-se com o único bêbado que a quis com o rosto deformado. E tiveram um filho, na verdade tiveram quatro, mas é o primeiro que importa. Ela, a moça queimada, nunca mais participou de nenhuma festa junina, coisa difícil de fazer no nordeste, e nem deixava seus filhos participarem... Mas um dia o moleque foi. E adivinha? Queimou-se feito a mãe! E a parte mais afetada fora o rosto. Minha mãe tentava dar uma explicação delirante a isso. Imagina! Até disse que era coisa de vidas passadas. E se eu ria da história, duvidando um pouco da veracidade, ela ralhava braba a beça! E quando terminava de contar ficava assim-assim reticente.
E agora? Se meus antepassados me vissem agora diriam: Que menina sem sal é essa Maitê! Amanhã é véspera de São João, e eu longe das minhas raízes, assisto uma série americana e que provavelmente estarei assistindo amanhã.




Outro Dia

Todos os dias ela toma banho pela manhã,molha seu cabelo
Enrola-se em uma toalha,e se dirige para a cadeira no quarto
É só mais um dia

Veste suas meias,calça seus sapatos
Põe a mão no bolso de sua capa de chuva
É só mais um dia

No escritório, onde papéis se amontoam,ela dá um tempo
Bebe outro café,e tem dificuldade de se manter acordada
É só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia

Tão triste,tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Sozinha em seu apartamento ela moraria
Até que o homem dos seus sonhos viesse quebrar o encanto
Oh, Fique,não saia por aí
E ele vem,e ele fica,mas vai embora no dia seguinte
Tão triste,às vezes ela se sente tão triste

Enquanto envia mais uma carta ao som das cinco
As pessoas se recolhemem a sua volta,e ela sente dificuldade em manter-se viva
É só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia
Du du du du du,é só mais um dia

Tão triste,tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Sozinha em seu apartamento ela moraria
Até que o homem dos seus sonhos viesse quebrar o encanto
Oh, Fique,não saia por aí
E ele vem,e ele fica,mas vai embora no dia seguinte
Tão triste,às vezes ela se sente tão triste

Todos os dias ela toma banho pela manhã,molha seu cabelo
Enrola-se em uma toalha,e se dirige para a cadeira no quarto
É só mais um dia

Veste suas meias,calça seus sapatos
Põe a mão no bolso de sua capa de chuva
É só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia

terça-feira, 8 de março de 2011

Ah mulher mulher mulher.

Parabéns pra nós, com muito merecimento. To meio sem inspiração para escrever hoje, por mil motivos que me desgastam, mas enfim, não podia deixar passar esse dia muito muito especial. E pra não encher linguiça vou me diminuir a isso: dizer que me orgulho de ser mulher, ter todos os charmes, crises e dores que todas nós temos, por enfrentar diariamente gente de cabeça pequena que pensa que mulher não tem direito de ir atrás de felicidade e de beber, causar, chorar, amar e desamar. Por que muitas vezes ouvi: Como é feio uma mulher fazer isso! E se fosse um homem? Ah daí é diferente. E olha que ouvi isso de mulheres, triste não? Pois é, ainda temos muito espaço que ocupar, não que mulheres deveriam dominar o mundo, perder a feminilidade e odiar homens... Não é isso. Mas é lindo ver toda delicadeza encobrindo uma força linda. Se eu fosse um homem, piraria na alma feminina.
Daí, escolhi Vinicius para enfeitar esse texto meio chinfrim. O poema é ótimo, eu acho, e beem conhecido. E talvez o poema nem tenha muito a ver com nosso dia, mas confesso que toda mulher adoraria ouvir um homem recitando ele ao pé do ouvido.

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

domingo, 6 de março de 2011

Caio Fernando Abreu, A moça que não era Capitu.

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

(Caio Fernando Abreu)


sábado, 5 de março de 2011

Betina.

Tinha ido comprar meias e cigarro, estava um frio e era março, até o tempo bodeou esse ano. Esperava o ônibus quando passou por mim um casal. A mulher era linda, mas de uma beleza escondida por cabelos presos, óculos velhos, e uma tristeza notável. O homem era feio, desculpem a frieza mas era realmente feio. Não era um frankenstein, mas era perceptível sua escuridão. Ele segurava uma menina, meio sem sal, pela mão. Devia ser a filha do casal.
Não pude deixar de ouvir,nem de imaginar como se deu aquela familia.
- Você vai no açougue Fernando? - ela perguntou ajeitando o óculos pobre.
Como o marido não respondeu, ela repetiu:
- Você vai no açougue querido?
- Você é surda? Já disse que sim.
- Desculpa, não tinha ouvido. - ela se redimiu, sem nenhum motivo, pois ele não havia respondido.
Fiquei vendo eles atravessarem a rua. Pensando, fantasiando o que ela fazia ao lado dele. Como aquela história começou? Não sei, mas sei como poderia acabar.
Entrei no ônibus, 2,80, e o percurso nem leva dez minutos! Um dia ela acordaria, e pintaria os lábios de vermelho, um bem vivo; e tiraria aqueles óculos, poria um vestido alegre. A filha? Ah, prefiri imaginar que ela não existia. Ela sairia pela manhã, e pelo café da tarde voltaria, com a boca num batom não tão vivo quanto o que saíra. E ele? A olharia bestificado, hipnotizado pela beleza da mulher. Mas era tarde. Pois ela saíra para comprar passagens para o mar. O açougueiro, seu acompanhante, sujeito misterioso e bonito a dissera ser linda.
Está chegando meu ponto, dou o sinal. Salto do ônibus, entro em casa, acendo meu cigarro e fico pensando, agora sem fantasiar, na vida infeliz daquela mulher linda.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ouço todos os dias.




Chorando Esperando Desejando
Chorando , esperando , desejando
Que você volte para a única que você ama
Pense nisso todo o tempo

Eu estava chorando
E eu estava esperando
E eu parei de ter esperanças
De que você voltaria para mim

E se você não voltar
Nós seremos um choro
Nós seremos uma espera
E talvez todos nós deixemos de ter esperanças
De que você volte
À única que você ama

Então você irá chorar
Você irá esperar
E talvez você pare de ter esperanças
Que nós voltaremos para

Não há mais choro
Não há mais espera
Não há mais esperança
De que você volte para mim

.

Sentir seu corpo pesar sobre o meu. Era só o que eu queria. Mesmo você com seu um metro e noventa e eu com meus um metro e sessenta e quatro, o peso seria um detalhe. Um detalhe que eu não esqueço. A tua pele, teu cheiro, seu calor, ancas em ancas... Mas e o agora? Agora chove, está um puta frio lá fora e enquanto meus pés não esquentam eu não consigo dormir. Na verdade não conseguiria de qualquer forma, nem mesmo com cobertores elétricos. Ouço os cavalos da tropa de Napoleão, ouço o arrastar de móveis dos vizinhos, a gotas baterem forte na janela, como que impondo a saudade.
Ouço tudo, menos tua voz, tua respiração, seu gemido. Aliás ouço: teu silêncio, tua pressa... Você me sente? Levanto da cama, não tem jeito, não vou dormir mesmo. Abro um livro numa folha qualquer, procurando uma resposta enigmática, e o autor, não importa, diz: "Atira a maçã para cima, recebe-a de novo, indecisa, num movimento que quase descobre os seios. As pernas compridas, um pouco brancas demais. Os olhos talvez meio estrábicos. Mas a cor? Que cor? O gesto antigo de afastar um fio de cabelo inexistente.
- Vá embora - ela diz.
Visto a roupa devagar. Começo a descer as escadas.Não olho para trás. De que adiantaria olhar? De que adianta olhar?
Vou desviando das poças sujas da chuva de ontem. O asfalto esburacado. O céu cheio de fumaça. E de repente uma maçã espatifada contra o cimento. A carne madura demais espalhada em torno. Não há nada a dizer sobre ela, não passa de uma maçã morta" C.F.A
Cacete por que as coisas se fazem complicadas. Você tem medo de ir fundo em você? Eu tenho medo e de encontrar um demônio muito indomável e deixar ele tomar conta e enlouquecer, ufa!
Sinto um frio que vem de dentro, surge em algum lugar escuro e quente, segue os impulsos nervosos e se instala na flor da pele, e sinto percorrer cada centímetro que um dia seus dedos longos tocaram. Que importa? Você se importa? Você não sente esse cheiro de egoísmo? Eu sinto e fingi não sentir, me anulei por teu medo. Você não diz nada, o silencio não basta baby.
Agora não tenho sono, nem nada. Me resta um Budapeste e uma Felicidade clandestina. Me resta talvez morrer seca como a Clarice. E você? Me manda ser feliz. Com que armas vou a guerra, meu Quixote? Talvez terra arrasada funcione.