sexta-feira, 25 de março de 2011

Doce doce agridoce amargo amargo insuportável.

Parou de frente pro espelho, com a caixa de lembranças nas mãos e choro escorrendo, fazendo o corpo tremer, a boca desfigurar e as bochechas ficam vermelhas. E ela se olha, admira o próprio sofrimento. E molha as fotos, as cartas, os desenhos, as colagens, os recibos e os cartões, de lágrimas pesadas, antigas e doce. Não sabia que fim dar a todas aquelas coisas, que despertaram, um dia, os melhores e mais gostosos sentimentos, mas que hoje, despertava uma amargura tremenda. Alguém dirá: " Ponha fogo Amélia!" Mas nem coragem lhe resta. Outros dirão: "Mate-se Amélia!"
Mas ela não pode. Quer estar viva pra superar a imagem do espelho, e voltar e dizer: "Agora engole esse meu sorriso."
Dizem que a felicidade é algo fácil de se ter, basta querer. Mas a noite, principalmente, ela percebe que ela não está ao alcance. Nem das mãos, nem da alma e talvez nem do desejo. E ela grita no meio da noite: " Ne me quittte pas!" Foi um sonho Amélia.


Um comentário:

  1. Você sempre fez coisa melhor que este conto. Uma ou outra recaída mas muito rara. O nome da personagem, Amélia, remete àquele modelo de servilismo do antigo samba.E a dramaticidade dela , exagerada demais , bochechas inchadas demais no espelho, e a desculpa pra não se matar talvez insçpirada naquela música do Chico :"quero ver como suporta me ver tão feliz". Melhor seria, Dani,a Iracema do Adoniram. Que pelo menos atravessou na contra-mão.

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