terça-feira, 19 de abril de 2011

Tum.

Quando as pessoas são almas gêmeas, sempre acabam juntas no final.
- Quero ser outro cara.
- Que tipo de cara?
- Um bom o suficiente pra ser visto do teu lado.
E separaram-se sem data pra voltar.






Morena dos olhos d'agua, Chico Burque.


[..]
Morena, dos olhos d'água,
Tira os seus olhos do mar.
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar.

Seu homem foi-se embora,
Prometendo voltar já.
Mas as ondas não tem hora, morena,
De partir ou de voltar.
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também.
Mas meu canto 'inda lhe implora, morena,
Agora, morena, vem.

3 comentários:

  1. hsaudhausdhausd, meus contos estão tão ruins a ponto de me mandarem desistir! Que beleza hasduhasud.

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  2. No momento em que o cara quer ser outro,"bom o suficiente para ser visto ao lado dela", rompeu-se o que tornava os dois "almas gêmeas". Ele já queria ser outro,embora expressando que queria ser alguém melhor do que achava que era. Mas ELA queria ele como ele É. "Vem, mas vem sem fantasia..."E foi cada um pro seu lado.Um primor de conto conciso, quase um haicai sobre a inexistência de almas gêmeas. Cada um é um movimento próprio,autônomo, quer ser sempre OUTRO, o Para-Si de Sartre.Com a simplicidade e realismo de um plano do cineasta japonês Ozu, Danielly Teles desfaz um final que o início indicava parecer um sinal feliz. A escritora não perdeu o pulso e o timming dos seus textos. Gostei muito. Parece um poema. Parece uma anotação feita no caderno sem prestar atenção na aula. E nesse parecer, aparece mais uma vez o talento e o encanto dessa jovem escritora. Espero que o Anônimo aí abaixo tenha comentado para os personagens, não para a autora. Mais que nunca, Danielly se afirma no recorte banal de um momento que mistura o mito (as almas gêmeas)com o inconstante fluxo de mudanças,sempre a partir da alma feminina.

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