sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A porta se abriu.


- Era um sufocante outubro. Estava frio. Nunca gostei de frio, por isso mudei-me para cá. Mas vamos a história!
As meninas estavam algumas sentadas outras deitadas no tapete bege, mas mesmo as deitadas estavam com os olhos bem abertos e bastante ansiosas, esperando para que aquela conhecida e ilustre senhora contasse um pouco que fosse sua história.
- Conta-se uma história nos bordeis de Buenos Aires: de uma prostituta e de um homem que se apaixona por ela.
E noite adentro as novatas meninas ouviram aquela senhora contar-lhes sua vida. Que um dia, prometo, contarei a vocês.

4 comentários:

  1. Olá, Daniii! Que 2011 seja um ano de muito sucesso e alegria! Abraço do blogueiro Jefhcardoso, de blog em blog

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)

    Feliz2011!

    http://jefhcardoso.blogspot.com

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  2. É a terceira vez que tento postar o comentário e sou deletado. Falava eu do "a porta se abriu". Suspense de Hithcock, história sem fim das Mil e Uma Noites ? E eu fazia alusão a um corte brusco sem final. Uma jovem escritora usou a técnica literária pra me deixar sem nenhum final.Nem feliz , nem infeliz. Exatamente quando o ano ia virar, veio a brusca virada:"não sei quando volto". Nenhuma explicação, a proximidade se abriu em distância, e o entusiasmo congelou como num inverno siberiano. Foi assim que os dias quentes de dezembro se transformaram nos dias frios de outubro. Quando a porta se fechou.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. No princípio são elas, as meninas. O leitor sabe que elas estão num tapete bege e uma senhora entra na sala e começa a contar uma história passada no bordel. Aí, a autora corta e promete contar depois o final do relato. Acho que as meninas continuam ouvindo a história, que talvez se entrelace com outras. Histórias. O que escutam aquelas garotas ,com olhos arregalados e respiração presa ? o que aquela senhora desvela e revela para os corações femininos que batem mais rápido como as emoções de um amor que nasceu num bordel ? Por isso que falei ontem em suspense hitchcockiano.Como só temos mulheres falando ou escutando, o leitor masculino é o que mais sente o impacto deste corte brusco. A mulher que chegou fala para as meninas do tapete bege. Uma história prosaica? Acredito que não. Nenhuma mulher conta para outras uma história prosaica sobre um encontro de amantes. Nós, homens, ficamos excluídos do universo feminino que se estende para além da página com suas letras,palavras, frases. E quando vamos saber de tudo ? Talvez nunca. Talvez elas façam um pacto de nada do que foi revelado sair daquela sala. Você criou um conto onde há um eclipse da visibilidade para que a imaginação tome o poder. E o que não está ali no texto é a verdadeira escritura do invisível, a suspensão da evidência, um buraco negro no universo human o. Genial, Daniii! Pouco a pouco você entra num grupo da pesada : Faulkner, Borges, Cortazar, Joyce. Na hora que você for chamada para fazer parte deste grupo, não hesite, não tenha medo. A garantia você tem com você : o talento.Abraço. Roberto Menezes.

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