sábado, 6 de abril de 2013

Ouso.

"Nessa cidade tem uma rua, que eu não posso mais passar."
Toda minha liberdade quadrada, de manter minha pouca castidade, espalhando bocas, pernas que abrem e fecham a cada segunda e quarta-feira é resultado de um medo de ver uma boca perder a necessidade de "matar a sede na saliva".
Toda essa liberdade gasta com bocas de plástico ficou cansada, perdeu sentido ao ver, numa esquina, seus cabelos e olhos; numa casa ao ver sua boca rígida ao cantar.
Toda essa liberdade tornou-se redonda ao ver o quão maleável ela pode ser, ao ouvir um cético, quase biológo, mas filósofo, que disse convencido numa música secreta, pra sentarmos, e com seus lábios grossos e roxos de cigarro e frio:
- A boca sempre está suja, sempre produz saliva. Aliás sempre precisa de saliva. Ele precisa de você, tem sede de você e você a quer matar. Mate-a. Mate-a dócil e docemente
Agora seu dedo de toque de cordas arranha minha meia- fina preta, intromete-se por debaixo da blusa que fiz de presente pra você (mas que uso), esquentando com arrepio frio.
Ele pega a "faca cega" com "fé afiada", abre a lata de cerveja: "- Cuidado!" - e faz um cinzeiro que inauguro batendo a unha azul no filtro branco.
Aqui agora não preciso de nada. Fiquei velha para a minha falsa pouca castidade assim que te vi de perto e andei contigo no meio fio dessa cidade, que posso e ouso passar entrelaçada com/em você

Um comentário:

  1. Sensual. Musical. Toque de instrumento leve, que leva um arrepio quente na noite fria. Valeu.

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